quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Naqueles dias

longínquos de Primavera, em que Maria na flor da sua meninice se sentava no chão, numa sarapilheira, em frente a ela e há sua imparável máquina de costura, que ela pedalava com uma perícia que só a experiência lhe tinha dado.Ollhava-me e dizia: vou cantar-te uma cantiga, Maria! E cantava-me imensas. A que me ficou para sempre na memória foi esta:

indo eu por aí a baixo
indo eu por aí a baixo

à procura de amor
à procura de amor

encontrei uma laranjeira
encontrei uma laranjeira

carregada de flor
carregada de flor

e baixei-me debaixo dela
e baixei-me debaixo dela

para o sol me não crestar
para o sol me não crestar

e ao meio dia em ponto
e ao meia dia em ponto

rouxinol ouvi cantar
rouxinol ouvi cantar

rouxinol de bico preto
rouxinol de bico preto

quem te ensinou a cantar
quem te ensinou a cantar

foi o palácio da rainha
foi o palácio da rainha

quando o rei ia para o mar
quando o rei ia para o mar

apanhar conchinhas de ouro
apanhar conchinhas de ouro


para o infante brincar
para o infante brincar




8 comentários:

  1. Hás dias assim :) ...vai passar vais ver...

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    1. Pois vai, mas tenho andado muito pro chorona! Dá-me isto de quando em vez:)

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  2. Engraçado! Não tenho memórias da " madrinha " cantar para mim, mas gostei da canção!Saudosista? ás vezes tb me acontece...saudades vossas. beijo

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    1. Ela cantava muitas. Muitas acho que inventava.
      Eu punha-me a jeito. Gostava de me sentar ao pé dela a vê-la remendar e a fazer lençóis de flanela!
      Saudosista sim, muito, de vocês também. Ando no modo "lágrima no olho por tudo e por nada".
      Beijinhos e um abraço bem apertadinho!

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