terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Crónicas da Maria

"Maria, depois de aprender a ler, tomou os livros como o seu passatempo predilecto. 
Às quartas-feiras à tarde, dia em que a biblioteca ambulante ia à aldeia, Maria trazia sempre a quantidade máxima de livros autorizada, quatro livros. Tinha uma semana para os ler, facto que para ela não era obstáculo. Apesar da mãe lhe delegar imensas tarefas domésticas, já implementadas na rotina: fazer as camas, dar de comer às galinhas e aos porcos, tirar do galinheiro os ovos, e muitas vezes ir com a mãe lavar a roupa para o tanque, Maria fazia tudo com rapidez, de modo a poder devorar as histórias da Anita, quando era mais pequena e dos cinco e outras de aventuras, quando já na adolescência. Havia alturas que para além de ler os que ela tinha requisitado, lia também os trazidos pelas irmãs mais velhas.
Em certas ocasiões, para que os irmãos não a importunassem, escondia-se debaixo do velho divã, de colchão de palha, e refugiava-se num mundo que era seu. Maria adorava viver as imensas aventuras que tão avidamente devorava. Era aí, nesses momentos, que vivia o seu grande mundo de sonhos e fantasias em que era princesa, fada, detective, sereia. " 



Bom dia 

4 comentários:

  1. E quem não tem memórias destas é porque os livros não seriam tesouro que chegasse! :))

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  2. Com este texto, lá fui eu ao meu baú de memórias ... tão bom! :)

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  3. Também eu fui ao baú das memórias, aos tempos idos em que também eu devorava os livros, esse poço de conhecimento, de aventuras, de sonhos...

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