quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Para Maria, as idas ao posto médico, eram dos poucos passeios, que tinha o "luxo" de fazer, por volta dos seus 7/8/9/10 anos, fora do lugar onde morava. Apesar de serem 12 km a pé (ida e volta), distância essa que por vezes, julgava ela, que as suas pequenas e frágeis pernas de criança, não aguentariam, naquelas ainda bem escuras manhãs, não deixava de sentir estas saídas como um bela quebra na rotina.
Quanto mais cedo chegassem, maior era a possibilidade de a mãe arranjar uma vaga, para que fosse vista pela médica.
Maria teve uma altura da sua vida em que foi motivo de muito desassossego, para a mãe, por conta de uma pneumonia, que por um triz, não lhe tinha colhido a vida, por isso, as idas ao médico eram também mais frequentes.
A mãe, coitada, vivia em constante sobressalto entre Maria e os outros oito filhos que nem sempre sucedia adoecerem ao mesmo tempo, o que lhe provocava frequentas caminhadas de 12 km para lhes tratar da saúde. 
Para Maria, a melhor altura para adoecer, ou ir a consulta de rotina, era na Primavera/Verão, porque as manhãs eram mornas, e levantar cedo era mais fácil, para além de poder entreter-se a observar as árvores, pássaros e apanhar flores silvestres que encontrava nas bermas dos caminhos, na Primavera, e apanhar uvas e amoras, no Verão. Porém, no Verão, havia o inconveniente de ser duro o regresso a casa, que sucedia por volta do meio dia, hora em que o sol já queimava em demasia, para além do caminho ser de forte inclinação ascendente! 
A Maria foi crescendo e reinventado as experiências. Tem hoje a convicção que, apesar da dureza da vida, os melhores momentos foram vividos nessa época, em que a beleza da natureza e da vida era vista com o coração, sem tecnologias a atrapalhar! Hoje, olhando para trás, Maria procura  ver de novo com o mesmo olhar de então e ser sempre feliz com as pequenas grandes coisas da vida.


Um dia Bom dia para todos :) 

5 comentários:

  1. Que texto maravilhoso e com um final...brilhante!
    Bj amigo

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  2. Querida mana, começo a desconfiar que tens veia de artista! Já pensaste em publicar estes textos de outra forma???qualquer dia ainda to roubo para trabalhar com os meus alunos...Daria uma excelente aula de Educação para a Cidadania!!!beijos

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    1. Não mana, penso que nem tanto. Por acaso estou a escrever como um legado para as minhas pequenas. Aos pouquinhos vou escrevendo uma história que também é nossa! Se quiseres, estás à vontade, seria fantástico que a minha vida, a nossa vida, pudesse contribuir de uma forma educativa para criação de melhores cidadãos! Beijos

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