quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Maria tinha despertado ao som do canto do cuco. Essa ave maravilhosa que anunciava, por ali, a chegada da Primavera. Ali perto, no beiral do telhado, o diálogo entre pardais tornou-se intenso, intercalado com curtos voos intermitentes.
Maria descia as escadas de cimento e descia para a cozinha, onde já ardia, na lareira de pedra, queimada pelas brasas, uma enorme fogueira. A água do pote preto de pernas já fervia e era usada para lavar a loiça, ou para cozinhar. A cevada estava pronta. Maria tirava do louceiro uma tigela já esmoucada, de tanto uso, vertia a aromática cevada em cima da broa de milho, já por si esmigalhada para a tigela. Tomava tranquilamente o pequeno-almoço.
Entretanto chegava avó, que vivia do outro lado da estrada, e lhe perguntava se queria ir com ela a casa da Milinha dos Silvões. Maria gostava de a acompanhar pelas histórias e conversas que ouvia entre elas, para além de lhe agradar imenso aqueles passeios entre os campos, agora floridos.

Quando falavam de Maria, a avó fazia-lhe sempre aquela pergunta: -Maria porque é que eu gosto tanto de ti? Maria dava sempre a mesma resposta, dentro da sua inocência, própria da idade: - por eu chorar. Ambas riam às gargalhadas e Maria não percebia porquê.

imagem da net


:)

3 comentários:

  1. Milinha dos Silvões! Hoje à distancia dos anos, até parece estranho...mas faz parte da nossa infância e da Nossa História...! Ainda hoje falava com o Luís do Berto Cabreiro e as palavras que sairam da minha boca suaram tão estranhas... que ainda rimos da originalidade dos apelidos...Mana

    ResponderEliminar
  2. Uma Maria de há alguns anos atrás, as de hoje têm vidas tão diferentes e já nem sabem quão eram bons esses momentos, essas palavras trocadas :))

    ResponderEliminar
  3. Que lindo amiga.
    Por momentos voltei à minha infância.Não havia a Milinha dos Silvôes mas havia uma avó que também morava do outro lado da rua e algumas tigelas esmoucadas no louceiro *-*
    Adorei!
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Agradeço a visita. Volte sempre!