terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Quando cheguei o único lugar vago era ao lado daquele adolescente. Estava sentado de ar zangado e contraído. Sentei-me a seu lado. Reparei que cravava as unhas nas palmas das mãos, alternando entre uma e outra mão. Contrariado. Talvez obrigado pela figura masculina (suponho que fosse o pai) que se encontrava sentado do outro lado, de ar muito pálido, acusando cansaço.
Manteve-se sentado até, mais ao menos, meio da cerimónia.
O rapaz, a dada altura, começou a levantar-se, quando a cerimónia assim o exigia, e a encostar-se ao adulto numa atitude submissa. Depois a dar-lhe a mão. Depois a dar-lhe beijos na mão. Nisto ficou até ao fim da missa, em curtíssimas pausas.


A adolescência nas suas variantes, ora pesando para um lado, ora para o outro.

3 comentários:

  1. Acho que nem eles próprios conseguem gerir bem as emoções que lhes surgem em catadupa :)

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  2. Eu estou a começar a lidar com a adolescência e é um bico d'obra!

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