terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tenho um bom ambiente aqui no meu departamento. Os meus homens tratam bem e têm-me muito apreço, sinto isso e eles demonstram-no com frequência. Porém, o ambiente desta enorme casa (somos tantos que há muitos que nem conheço), tem tido uma decadência vertiginosa. A desmotivação, dos que, tal como eu, já cá andam há dezenas de anos, é quase imensurável, contra os que estão por cá há pouco e que não olham a meios para atingirem os fins. Mais vale cair em graça que ser engraçado, lá diz o ditado. Eu não tenho procurado, ao longo dos anos, nem uma, nem outra. Tenho exercido as minhas funções com coerência, integridade, humildade, dando o meu o melhor, desburocratizando e simplificando sempre o mais possível. Pois é, o mal está mesmo aqui. É que mesmo sendo sempre considerada uma óptima funcionária, com perfil para fazer e organizar serviços que funcionam mal, nunca passei mesmo disso, da preparadora de terreno, para colheita posterior de outros que atrás de mim vieram. Tem- me faltado ao longo destes anos o complicar para dar ares de que as tarefas são de difícil execução. Que nada é fácil, enchendo páginas de palha de infinitas cornucópias. O mérito só é reconhecido, na prática, quando, mesmo tendo o serviço em ordem, se fica muito para além da hora, para mostrar que há um esforço extra para que tudo funcione como deve ser, sacrificando a própria família, mesmo que isso signifique ficar a navegar na internet.
Sempre dei o litro perante o serviço que tinha pela frente, essas encenações teatrais sempre andaram anos luz da minha praça.
Sendo assim, vejo progredir na carreira, actrizes e actores deste deprimentes teatros, enquanto eu, fiel a mim própria, continuo a ser o bombeiro, a excelente funcionária, sem proveito, nem mérito de facto reconhecido.

Sinto-me cansada, desgastada e pouco realizada. Continuo a levantar-me cedo, continuo a cumprir todas as tarefas com que me deparo, com zelo e empenho suficiente, para as ver realizadas correctamente, mas com uma total desmotivação. Estou cá com sacrifício. Preciso de ganhar um ordenado ao fim do mês, só mesmo isso é que neste momento me move. Sinto uma enorme tristeza em ver morrer a camaradagem do passado, a união e a consequente partilha.
Hoje é dia de balanço de mandato. Brevemente iniciamos com nova gestão, e, neste momento, já tanto me faz quem vem, afinal têm vindo uns atrás dos outros nestes últimos anos e não houve nenhum com vontade de re-humanizar tanto a relação com o utente, como o ambiente laboral. O umbigo tem sido o único horizonte de cada um deles. Se eu fosse de dizer palavrões, diria que se f...m todos, que eu já não aguento com esta gente.

Desculpem lá o mau jeito, mas tem dias em que por cá cheira a podre :(.

3 comentários:

  1. A vida por vezes não é como sonhamos...mas é a que está a jeito e acomodação surge...e de repente...acordamos e descobrimos que não queremos que seja assim!!! E aí...vem tudo ao de cima...o bom e o mau...e pesam na balança e exigem-nos escolhas!
    Desejo que possa escolher...que ultrapasse esses momentos e se sinta...BEM FELIZ! bj

    ResponderEliminar
  2. Não estás sozinha, infelizmente é assim em muitos sítios e naquele onde trabalho é tal e qual, por vezes há um alento, alguém vem de novo, que sabe gerir pessoas e negócios, mas logo tudo volta a ser manipulado pelos mesmos e volta tudo a ser como era antes ou pior. Cansa, desmotiva, entristece. Mas o que fazer? É aguentar de cara alegre, pois quem precisa não se pode dar a certos "luxos" Força! É pensar que melhores dias virão :)

    ResponderEliminar
  3. eu compreendo-te bem, já tive experiencias de trabalho dificeis e fases de muita desmotivação. Desejo que dias melhores viraõ!! bjss e Sorri! =)

    ResponderEliminar

Agradeço a visita. Volte sempre!