quarta-feira, 15 de abril de 2015

Crónicas de Maria - O amor

Fora uma criança tímida. Fora, toda a adolescência, pouco dada a grandes amizades e sempre se achara de uma grande feieza. Os defeitos físicos que constantemente lhe a tiravam à cara para a arreliar, caiam-lhe na alma e lá foram ficando a fazer estragos. Demasiados estragos, ao longo de inúmeros anos. 
Quando saía à rua, na adolescência, usava saias compridas para tapar as pernas feias e tortas. Fugia de qualquer galanteio masculino porque achava que era para desdenhar dela. 
Por vezes sonhava com um lugar onde era tratada como uma bela princesa. 
De facto um dia surgiu-lhe no caminho um belo rapaz que a tratou com gentilezas de príncipe. Sentiu, pela primeira vez na vida, o bater do coração por um amor verdadeiro. Um amor estonteante.
Ansiava a todo instante poder estar com ele,  sentir os seus beijos e carícias. A vida era bela, a felicidade suprema!
Descobriu, porém, que o seu príncipe, não era apenas seu. Era de várias que se lhe insinuavam  e que ele galanteava com seu jeito principesco. A tristeza foi um mar tumultuoso de lágrimas que parecia jamais encontrar acalmia. A dor da desilusão foi inexplicável e dilacerante.
A partida da sua terra natal para outra cidade e o encontro com um novo amor, ajudou a apagar estragos, mas esquecer, penso que nunca Matilde esqueceu o seu primeiro verdadeiro amor.
"Não há amor como o primeiro"- a primeira vez que o coração bate por um amor verdadeiro, nunca se esquece, por muitos amores que surjam na vida.
Um amor verdadeiro e correspondido também não.
Um brinde ao amor, ao verdadeiro amor!



Bom dia para todos

3 comentários:

  1. Neste caso, este primeiro amor não passou de uma ilusão. É triste quando um primeiro amor está associado a sofrimento, traição e desilusão. Nas recordações, ficará sempre esse sabor amargo...

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  2. Maria...parece bem uma história que eu conheço tão bem!!!
    Eu recordo o primeiro e o último amor...provavelmente por razões diferentes!
    Bj amigo

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  3. Maria, esses são os revezes do amor, seja o primeiro ou o último.
    Também já ouvi dizer que não há amor como o último! Que sei eu?
    beijo

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