terça-feira, 14 de abril de 2015

Atitudes que me deixam a pensar

Que a minha mais velha já foi uma aluna brilhante, já foi. Que não foi por eu exigir dela ao máximo, sem falhas nem erros, não foi. Foi-o sempre naturalmente, sem nunca deixar de ser criança e sem o  peso da responsabilidade de ser a melhor, das melhores.
A minha mais velha já não é uma aluna brilhante, que não é. Desde o 7ºano, altura em que entrou mais acentuadamente na fase controversa da adolescência, que as notas começaram a decair.Se para umas/uns esta fase não é assim muito complicada, para outras/os, nem tanto. Apesar de continuar a ser a mesma filha alegre e feliz, amorosa e carinhosa, tem muitos momentos em que navega num mar de dúvidas quanto ao ser e não ser. O que eu posso fazer é chamá-la à terra, dar-lhe conselhos, ouvi-la, ajudá-la a direccionar-se, a responsabilizar-se. A descobrir-se sem perder os princípios base do respeito e tolerância para com ela e com os outros. Se gostava que tivesse uns resultados escolares melhores, lá isso gostava. As capacidade estão todas lá (ninguém deixa de ser inteligente do pé para a mão). Desejo que esta fase seja ultrapassada e se dê início a uma fase de retoma escolar, sem contudo deixar de permitir que ela viva a vida fazendo o que a faz feliz (sair com as amigas, dançar  e dançar).
Por isso mesmo há certas atitudes que me deixam a pensar.
No dia da reunião com a directora da turma, antes da mesma começar, diz-me o pai do melhor aluno da turma, aluno de quase tudo cincos, e dois ou três quatros, que o filho dele também andava no fase "atolambada" e que os bons que tinha tirado nos testes podiam ter sido muito bons. Que não lhe daria tréguas porque ele tinha de subir as notas. Ao que lhe respondi que era normal nesta idade eles andarem um pouco mais distraídos, mas que de qualquer maneira ninguém é perfeito, que as notas eram excelentes e que o miúdo também tinha direito de falhar. Disse-me que sim, que eu tinha razão, mas que o filho nunca ouviria isso da boca dele e que apesar de tudo nunca deixaria de exigir o máximo dos máximos. 
Não me pareceu nada saudável esta atitude do pai, quer para com ele, quer para com o filho. O futuro o dirá!

Bom dia a todos

3 comentários:

  1. Estou a passar pelos mesmos problemas. o meu filho está no 7.º ano e era um aluno brilhante que agora está a descer as notas. Temos que o responsabilizar mas ao mesmo tempo dar-lha uma margem, tendo em conta os choques hormonais nestas idades e os novos focos de distração! Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Concordo plenamente. Tem de haver um equilíbrio e os alunos são, em primeiro lugar, pessoas. Tem de lhes ser incutida responsabilidade, mas também é importante que estes desenvolvam outras capacidades e aptidões. Que tenham espaço para se desenvolverem e descobrir. E, sobretudo, que sejam muito amados pela pessoa que são e não pelas notas que têm.
    Um beijinho

    ResponderEliminar
  3. Eu oiço muitas vezes da boca do meu filho, que exijo mais dele do que da irmã. não é verdade. sei é das capacidades dele, e do pouco/quase nenhum esforço, que faz. Sei as capacidades dela, e do muito esforço que faz. Logo, se ela tiver uma nota menos boa, não me chateio, porque sei que estudou (e estuda muito, mesmo!). No caso dele, se tiver um 3, chateio-me. Porque lhe exijo o 4. Embora saiba que ele chegava facilmente ao 5, se estudasse a sério. No entanto, não lhe exijo mais do que isto. No fundo, só quero que sejam felizes mas, responsáveis. Se te anima, a minha miúda, agora que chegou ao 10º, tornou-se super aplicada, como nunca antes a vi. E continua a fazer tudo (sai de quando em vez, vai ao cinema, tem dança). Mas consegue aproveitar bem o tempo de estudo. E na verdade, a partir de agora (10º) é que conta. Têm consciência, que cada nota, conta para a média e para o futuro. Por isso, calma. São fases! Um beijinho!

    ResponderEliminar

Agradeço a visita. Volte sempre!