quarta-feira, 20 de maio de 2015

Crónicas de Maria - desastrosas lides domésticas

Quando se é criança há pequenos acidentes que acontecem com maior frequência do que quando se é adulto. Não sei se pela falta de zelo, se pelo tamanho e destreza das mãos.
Quando Maria era  criança os acidentes domésticos, lá por casa, sucediam diariamente. Eram muitas as crianças e por isso muitos objectos partiam, muitas vezes, por magia, à sua passagem.
A maior ocorrência sentida era a nível da loiça. Quase todos os dias, depois da loiça lavada, havia sempre uma peça a menos no louceiro. 
A loiça era lavada manualmente pelas crianças, tarefa que não lhes apresentava qualquer tipo de perigo (para elas, porque para a loiça…é o que vos conto). Acontecia que, sem mais nem menos, sucedia escorregar das mãos um prato, uma tigela, uma saladeira, etc.
O receio do ralhete e das chineladas da mãe, fizera com que se criasse uma equipa de vigilância ao sumiço da loiça partida. Havia os que ficavam de sentinela a vigiar se a mãe se aproximava por qualquer umas das portas ou portões de acesso aos terreiros que circundavam a casa, enquanto o infractor se desfazia do objecto partido, lançando-o para o meio do silvado que havia no monte, por trás do quintal.
Naturalmente que a mãe apercebia-se da falta da loiça, ao fim de alguns pratos e tigelas partidos. Em algumas terças-feiras lá ia ela, à feira da Lixa, ou então ao "Masmorra" comprar  mais para repor a que ia desaparecendo misteriosamente. 
Quando questionados sobre quem seria o autor das baixas, ninguém tinha sido, ninguém tinha visto e não se acusava ninguém. Protegiam-se assim uns aos outros da “fúria“ da mãe. Afinal de contas todos eles, cada um em sua vez, tinham contribuído para o sucedido.
Um dia, o monte por trás do quintal foi vendido. O novo dono decidiu limpar o mato e cortar o silvado. Imaginem a cara da mãe da Maria quando espreitou do cimo do quintal para o lugar onde já não havia silvado. Viu ali objectos despedaçados que ela ainda não tinha dado falta. Ficou chocada. Questionou um e outro acerca de um e outro "tareco" que naquela condições se encontrava, perguntas para as quais obteve as respostas  habituais:" -eu não sei " e “- não fui eu!”, em todas as vozes.

Google imagens


Bom dia a todos 

6 comentários:

  1. Rssssssss..Esse :- Não fui eu é clássico!!!
    Adorei te ler! bjs, lindo dia! chica

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  2. Que crónica tão ternurenta! Espero que nos continue a deliciar com as peripécias da menina Maria.
    Um beijinho

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  3. Consigo imaginar tão bem essa situação! Eu cheguei a colar uma jarra para minha mãe não dar conta. Mas fiz um excelente trabalho, parti a jarra com 14 anos e a minha mãe só descobriu quando eu já tinha 16. ;)

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  4. Olá Maria...curiosamente não passei por essa situação pois fui filha única até aos 7 anos... mas apercebi-me dessa natural lides desastrosas e conflituosas entre os meus primos!
    Bj amigo

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  5. Lembro-me bem de quando criança partir vários pratos, copos ou jarras quando jogava futebol :)
    Beijinhos

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  6. Trabalho de equipa! Assim é que é :))

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