quinta-feira, 18 de junho de 2015

18 de Junho de 1989.

Corria o ano de 1989, e o Verão chegava a passos lentos. Maria ansiava a sua chegada, deitada de baixo da árvore da escola, mergulhando no azul do céu, imaginando-se à beira mar. 
Esse ano, tal como anterior, estava a ser duro para ela porque o acidente, que lhe deixara marcas profundas no corpo, lhe tinham fragilizado mais ainda a sua já tão baixa auto-estima.
O "convite"  dos tios para o emprego apanharam-na de surpresa e deixaram-na numa miscelânea de sentimentos e receios, para os quais também contribuiu a pressão da mãe. 
Que era o melhor para ela, que era um trabalho seguro e para a vida, disseram-lhe. 
Maria, que tinha vivido os últimos dois anos como sendo os mais difíceis da sua vida, sendo que tinham coincidindo com essa fase da vida (quase) sempre conturbada, a adolescência, não ousou contrariar nenhum deles. 
Nessa altura ela adorava a área de psicologia, mas não tivera tempo sequer de projectar o caminho a seguir. O caminho fora-lhe praticamente imposto.
No dia 18 de Junho de 1989, a caminho dos 19 anos, Maria ingressa no mundo do trabalho, sem questões, nem interrogações. 
Na pequena cidade, longe da aldeia, da família, dos amigos e conhecidos Maria fez-se mulher. Chorou como nunca, sofreu como nunca, viveu tantas vidas, tantas histórias, tantos dramas, tantas alegrias, tantas felicidades. Perdeu amigos para sempre e ganhou outros para a vida. Aprendeu o significado do verdadeiro amor e, essencialmente, aprendeu a amar-se.
Em 26 anos de serviço Maria executou as mais diversas funções dentro da instituição onde foi colocada. Foi secretária do Conselho de Gerência; auxiliar de higiene e limpeza; a auxiliar de ação médica; administrativa de Serviço de Urgência e de quase todos os departamentos administrativos. No exercício de algumas chorou muito sozinha em casa;  noutras, foi muito feliz ! Em todas elas aprendeu muito. Aprendeu sobretudo a essência das pessoas e de como o desempenho desta ou aquela função faz mudar a forma como se é tratado. 
Maria, ainda que não se sinta realizada naquilo faz, é feliz! A vida tem-lhe ensinando a subtrair o que não vale a pena, tirando antecipadamente a aprendizagem necessária.

Bom dia a todos

6 comentários:

  1. O seu bonito texto é uma lição de vida. A vida não tem sido perfeita, mas a Maria é um exemplo!

    Um beijinho, querida Maria

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  2. Um exemplo de resiliência! De tudo podemos retirar um lição e o segredo é saber aprender com os momentos "menos bons" e valorizar as conquistas.

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  3. A vida é assim mesmo...uma busca constante (consentida ou não)!!!
    Gostei...bj

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  4. Isso sim, é que saber olhar a vida de frente!
    Um beijinho,
    Mia

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  5. A isso chama-se viver e crescer. Maria é sem dúvida uma lutadora e uma vencedora. Beijinhos

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  6. Bom dia Maria :)
    Muito bonito este texto :) Cheio coragem :)

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