quarta-feira, 22 de julho de 2015

Há pessoas tão arrogantes que não têm

a mais pequena noção que

" o sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E porque não está a competir,
ninguém no mundo pode competir com ele ".

Sinto uma tristeza em verificar que a pequenez graça por aqui.  Que, independentemente de dar o meu melhor, de cooperar em actividades com as quais nem deveria preocupar-me que, mesmo assim, em vez de gratidão, recebo arrogância. Que essa pequenez parte, não de quem tem um posição hierárquica superior, mas de quem tenho um caminho paralelo e distinto. 
Não se sentindo grande, quer ser visto como grande. E, nessa ansiedade de querer ser visto pelo que não é, diminui  aos meus olhos, e talvez engrandeça, perante quem nunca sai do gabinete.  
Gostaria de ficar indiferente, mas não consigo. A arrogância e a má educação são atitudes que me magoam de uma forma superior à minha vontade.
Cheguei a uma altura da vida que não me posso permitir carregar mágoas causadas pelo trabalho, sem fazer fazer nada para os eliminar. 
Vou-me então ali, tentar aliviar o coração, carregando o leve peso da esperança, com esperança de ser escutada.

Este é o último dia, antes de umas curtas férias. Não sei se me será possível cá vir durante esse período. Não sendo, até já :)! 
Façam o favor de serem felizes e bem hajam por fazerem parte da minha vida

terça-feira, 21 de julho de 2015

O amor acontece

Ainda o sol se encontrava por detrás do horizonte, já Paula descia com energia as escada do prédio, com o saco para ir ao pão numa das mãos,  na outra segurava a trela do pequeno e vivaço Max. Era assim todas as manhãs há imensos meses.
Desde que adotou o cachorro que Paula deixou de se sentir tão só. A sua vinda para a pequena cidade marítima, longe da família transmontana não estava a ser fácil, dada a sua timidez, própria de quem vem de um pequeno ambiente aldeão. Max era uma excelente companhia que Paula mimava com imenso carinho.
Há umas semanas que aquele rapaz alto, moreno, de rosto sorridente e olhar sedutor passava por ela. As roupas mal tratadas indiciavam que fosse operário numa fabrica qualquer, ou quiçá jornaleiro em qualquer quinta, ao contrário da sua postura elegante e trejeitos delicados que lhe impunham um ar nobre. Paula tentava adivinhar.
Ao acordar só pensava no rapaz moreno e na hora em que se cruzaria com ele na rua deserta.
Perfumava-se de alfazema, enquanto a sua mente imaginava uma série de situações que poderiam acontecer.  A de  lhe ser indiferente era equacionada, a de ele ter já compromisso, também.
A caminho de casa, ela via-o ao fundo da rua. As suas pernas tremiam e o coração galopava. As mãos transpiravam enquanto ela apertava com força a trela de Max.
Uma vez,  ao passar por ela, o desconhecido baixou-se para fazer uma festa ao cão e olhou-a com profundidade dando-lhe bom dia. Paula respondeu timidamente, de rosto afogueado e olhar escorregadio, enquanto o coração parecia saltar-lhe do peito.  Os seus olhares ainda se cruzaram mais uma vez quando nenhum dos dois resistiu olhar para trás, enquanto cada um seguia seu caminho.
Entre olhares intensos e cumprimentos matinais se foram passando os dias.
Um dia Paula ao avistá-lo ao longe observou ele meter a mão no bolso e tirar qualquer coisa de lá. Ao passar por ela, baixou-se, e prendeu o papel que segurava entre os dedos na coleira azul de Max. Lançou-lhe um olhar terno, sorrindo-lhe. Paula devolveu-lhe o sorriso e depois de ele desaparecer na curva, baixou-se para segurar entre as suas mãos trémulas o papel ligeiramente perfumado de after shave, escrito numa caligrafia perfeita.
João confessava-lhe que a melhor parte do seu dia era quando se cruzava com ela e que ultimamente dormia mal ansiando a manhã para poder vê-la. Receava que ela tivessem alguém em sua vida e daí o seu receio em abordá-la. Pedia-lhe que lhe dissesse se poderia alimentar a esperança em poder aproximar-se e deixou-lhe o seu contacto.
Paula ficou atordoada de felicidade. Guardou junto de si o papel que foi relendo vezes sem conta ao longo do dia. 
Ao fim da tarde, depois de fechar a biblioteca, saiu para a sua esplanada preferida à beira mar. Na presença de  um pôr-de-sol deslumbrante, Paula escreveu para João. Confessou-lhe que era descomprometida e que os seus dias tinham ganho cor desde que  começou a cruzar-se com ele. Que também ela ansiava pelas manhãs. Deixou também o seu contacto.
Na manhã seguinte, depois de uma noite de ansiedade que quase lhe roubou o sono, Paula cruzou-se com João. No meio de um sorriso doce e tímido estendeu-lhe o papel que apertava na mão nervosa. Seus dedos tocaram-se ao de leve deixando-a sem jeito. A sua timidez fê-la continuar caminho. Quando chegava ao último degrau, para entrar em casa, com as pernas ainda trémulas pela emoção, o telemóvel tocou. Era João. Falaram por algum tempo tempo e marcaram um encontro a sério, na esplanada preferida dela.
Ao fim da tarde do tão ansiado sábado, Paula caprichou na forma subtil com que se vestiu. A perfeição das suas curvas, adivinhavam-se por debaixo do longo vestido cor de mar. Os seu longos cabelos  dourados e cacheados, soltos despretensiosamente,  conferiam-lhe um ar natural e descontraído. O batom de cereja foi a única maquilhagem que colocou. 
Antes da hora marcada Paula chegou à esplanada. Alguns olhares viraram-se à sua passagem, mas ela nem deu conta. Sentou-se no lugar mais calmo, onde podia observar o voo irregular das gaivotas, e as ondas do mar batendo suavemente nas rochas cobertas de mexilhões, e,ao mesmo tempo, observar a entrada da esplanada.
Quando o viu chegar achou-o mais belo, atraente e encantador que sempre. Quando ele se aproximou da dela, ela levantou-se e estendeu-lhe a mão que ele segurou e não mais largou, enquanto ali ficaram a conversar, até as estrelas nascerem por cima de um amor que jamais teria fim.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dias

em que o céu se mantém cinza quase todo o dia e que se sai a correr para  aproveitar o 1º raio de sol que espreita  num brecha descuidada . Valer a pena. O mar verde estar menos frio que o habitual e calmo.A areia dourada estar quente e saber bem sentir na pela a sua textura.
Entre chão de terra batida e muito pó, um lugar inesperado, que nos mantém menos bem dispostos que o habitual, ainda com céu nublado, a alegria das crianças e o colorido da felicidade de estarem juntos, foram os únicos raios de sol que iluminaram a maior parte de outro dia. Regressar a casa de táxi e o carro a reboque. 
Acordar com a esperança que as coisas menos boas, não sejam assim tão más e que a forma como são encaradas sejam uma ajuda preciosa na sua solução. É aqui, neste lugar que se dá o maior crescimento.
São dias assim que nos fazem reflectir e nos impulsionam, muitas vezes, a agir e a fazer acontecer o que planeamos e que vamos deixando para "logo".

Uma semana muito feliz para todos repleta da esperança e muito otimismo

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Há pessoas


Que acreditam em tudo aquilo que vêem.
Há pessoas que acreditam em tudo o que lhes é dito.
e depois há aquelas pessoas que acreditam apenas naquilo que pensam ser verdade :(!








quarta-feira, 15 de julho de 2015

Inspiração para hoje




" Ó dia normal, permite-me ter consciência do tesouro que és. Não me deixes passar por ti, na demanda de um raro e perfeito amanhã, e ignorar-te "

Mary Jean Irion

terça-feira, 14 de julho de 2015

Crónicas da Maria

14 de Julho de 1987


Maria no ano lectivo 1986/1987 tinha feito uma pausa na escola, para ficar em casa a tomar conta da mãe que tinha caído abaixo do escadote, no decurso de uma vindima. As fracturas múltiplas nas costelas e a fractura na clavícula incapacitaram-na e durante alguns meses  necessitaria do apoio de alguém para cuidar de si, da casa e dos filhos mais novos. Foi sobre Maria que recaiu a escolha.
Após alguns meses a cuidar da família e depois das melhoras da mãe, Maria, por altura da Primavera, decidiu, junto com a mãe, ir trabalhar enquanto não chegasse o novo ano escolar, para ganhar um dinheirinho para as suas coisas.
Assim foi. Maria, num perfumado dia de Primavera, envolta em receios e apreensões ingressou numa fábrica de calçado. Apesar de tensa, ao mesmo tempo ia satisfeita  por poder fazer algo que lhe se desse um retorno  visível.
O trabalho não era leve, mas Maria já estava habituada e facilmente se adaptou a essa nova forma de passar os dias.
A limpeza da fábrica era efectuada, à vez, por uma funcionária escolhida pela encarregada. Tratava-se de varrer todas as aparas de pele do calçado, amontoá-los no quintal e queimá-los numa enorme fogueira que acendiam para o efeito. Usavam um produto altamente abrasivo, chamado de benzina, para que a fogueira ardesse como seria necessário para queimar todo aquele amontoado multicolor de pedacinhos de pele e vinil.

Nesse fatídico dia, dia do aniversário da mãe de Maria, ela que queria ir cedo para casa, mas, para além de ter sido obrigada a fazer horas extraordinárias, ainda foi a escolhida para limpar as instalações. Apesar de aborrecida pelas coisas não estarem a correr como pretendia, despachou-se na limpeza. Depois de amontoar o lixo no quintal e do o ter regado com a malfazeja benzina, na altura que atirou o fósforo para o amontoado, levantou-se vento leste, que fez com que o frasco que tinha na mão começasse a arder, e ela também. Maria desse momento só se recorda que começou a correr pela fábrica dentro aos gritos em quanto, ao mesmo tempo, se ia despindo. De resto só se lembra de ter acordado ao outro dia na cama do hospital. O cheiro a chamusco que lhe vinham dos cabelos fizeram-na recordar-se do que tinha acontecido. O elástico que lhe prendiam os imenso cabelos dourados tinha evitado uma tragédia ainda maior.  
Quando os enfermeiros fizeram a ronda da manhã, Maria, debaixo de dores insuportáveis, ficou a saber que tinha sofrido queimaduras de 3º grau no seu braço direito, bem como na zona lateral direita do dorso. Durante 20 dias Maria esteve internada, sofrendo horrores na hora de fazer o penso, mesmo debaixo das mais forte medicação.
Foram longos meses de sofrimento entre pensos, cirurgia para retirar colóides que impediam o braço de esticar e fisioterapia diária.
A frágil auto-estima de Maria foi uma das partes mais afectadas. Quando se é adolescente sente-se que o aspecto físico é a coisa mais importante para que se seja vencedor. Maria não largou a manga elástica durante muito tempo, a partir de dada altura mais para esconder as feias cicatrizes, que própriamente pelo efeito terapêutico.

" Uma vida sem obstáculos é um vida vazia. Para sentires plenamente a tua vida, tens de sentir os altos e os baixos. Só então saberás o que significa verdadeiramente estar vivo "

Robin Sharma

segunda-feira, 13 de julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Por cá

o dia acordou cinzento e com um incerto chuviscar, mas eu acredito que


Cheia de otimismo, que espero seja contagioso, desejo-vos um fim-de-semana, como diz Gaja Maria, prenhe de momentos felizes.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Quando

- te sentas para almoçar e te dás conta que o que aqueceste no microondas, foi o melão que trazias para sobremesa;
- de seguida tentas a todo o custo abrir a porta do gabinete com as chaves de casa e só te dás conta quando vais pedir ajuda para te virem reparar o canhão da fechadura, percebes que realmente algo em ti não está a funcionar bem e que as férias tardam em chegar.

(Amassei e misturei bem o melão no sumo que tinha libertado e comi-o como se fosse sopa. Fiquei  foi sem sobremesa, eheheheh).

Crónicas de Maria.

O verão decorria  abrasador. A caminho da fonte, para buscar água fresca, os chinelos de dedo colocavam-se ao alcatrão derretido pelo calor, dificultando-lhe o caminhar.
Os rapazes (os irmãos e os vizinhos) por aquela altura do ano já se fartavam de ir para a presa de Fontes refrescarem-se, sem que as cobras de água, que por lá muitas vezes surgiam, fossem objecção. Maria, tal como as irmãs, não o fazia, porque aquele espaço era reservado  a rapazes em cuecas e até, em certos casos,  tal como vieram ao mundo. As únicas alternativas que lhes restavam era os refrescos de água com cevada, açúcar e muito gelo e os banhos dentro de tanque de casa.
Ao lanche ia à horta, colhia  um pepino que descascava, partia em quatro, colocava  um pouco de sal no meio e fazia o seu lanche. Outras vezes um tomate. Por vezes fazia gelados de limão, de cevada ou de leite porque  a vontade aguçava o engenho.
Na época das amoras era uma alegria cheia de arranhadelas. Amoras com vinho tinto e açúcar era dos lanches mais apetecíveis. Por ali nem se questionava que o vinho colocado nas amoras pudesse ser mau para as crianças. Não se pensava nisso.
Ao fim da tarde a mãe mandava-a chamar os irmãos que na presa, no meio do monte, ficavam a refrescar-se até tarde. Maria, para que nenhum dos rapazes se sentisse intimidado perante a sua presença  e a própria nudez, ia pelo caminho de cima do monte, de modo a que fosse ouvida sem ser vista, mas pudesse ver. Aproveitando os últimos raios sol, espalhados pela erva que circundavam a presa, estendiam-se imensos corpos nus e bronzeados. Maria observa-os de olhar fugidio e regressava a casa, atenta a qualquer movimento nas beiradas do caminho, receando que lhe aparecesse alguma cobra.
No fim de jantar " a canalha" ia para a frente de casa de Maria, a pedreira, um pequeno monte onde habitavam alguns pinheiros, eucaliptos, enormes giestas e pedregulhos e brincava aos cowboys,  à luz dos candeeiros da estrada, com pistolas de madeira feitas por eles. Na envolvência do canto das relas e com morcegos a tocar, uma ou outra vez, as cabeças, ouvia-se um intercalado " pum-pum, matei-te" e, por vezes um " não mataste nada, tu não me viste".
Maria por vezes entrava nessas brincadeiras. Outras vezes, colocava na varanda de casa o rádio gravador com a cassete de Júlio Iglésias a tocar, que de vez em quando já desafinava, gasta pelo uso, e olhando o céu, quase sem espaço para mais estrelas, sonhava ainda acordada.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Não há como falhar

quando a minha mais nova, todos os dias, por volta da mesma hora, me diz: - mãe, traz o telemóvel (para cronometrar), está na hora de fazeres a "prancha". Não deixa que eu me esqueça, nem que preguice. Uma mais valia, portanto.
Esta miúda é mesmo assim. Se eu lhe disser que ela conseguirá cumprir um objectivo se treinar todos os dias, é certo que enquanto não conseguir, não passará um dia sem tentar :).

É verdade ( exceto em algumas circunstâncias)

"Nunca ninguém comprou mais caro do que quem pede. Quem para dar espera que lhe peçam, vende; e quem quem pede para que lhe dêem, compra, e pelo preço mais caro e mais custoso"

Padre António Vieira

terça-feira, 7 de julho de 2015

Inspiração para hoje

" Não sejas demasiado exigente contigo mesmo. O caminho da cabeça para o coração não é curto. Podes demorar semanas, meses, ou inclusive anos a conseguires abrir-te completamente. O importante é que inicies a caminhada ".

Robin Sharma

Bom dia para todos

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bom, bom

é uma semana depois de me ter pesado e ter-me deparado com  53 kg na balança, com mais algum cuidado na alimentação, um pouco de exercício e sem sacrifício (houve chocolate preto pelo meio) subir à balança e ver 50.600 kg. Fiquei rejubilante que a vontade sair logo pela manhã, para fazer uma caminhada, foi superior à vontade de ficar mais um pouco na cama.  
Chegada à beira mar constatei que havia uma corrida e uma caminhada organizada pela Edp. Uma imensidão de atletas passou por mim (dizem que eram 2 mil). Os caminhantes também eram muitos e eu só lamentei não me ter lembrado e não me ter  inscrito que ao invés de caminhar sozinha, faria 6 km acompanhada e ainda contribuiria para angariação de fundo para o MAPADI (Movimento de Apoio a Pais e Amigos do Diminuído Intelectual ).
De qualquer forma a caminhada soube -me e fez-me muito bem e observar a determinação de cada concorrente foi  muito inspirador



Bom dia a todos e uma excelente semana.

sábado, 4 de julho de 2015

" A finalidade da viagem da vida

é detetar os nossos pontos fracos e sará-los, para encontramos o que há de melhor em nós. Este é o único caminho a percorrer, se o teu objectivo é encontrar a paz duradoura e a liberdade. Não existe outra opção "


Robin  Sharma

Um excelente fim-de-semana para todos

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Temos a certeza que a pessoa com quem vivemos há uma vida

tem mudado ao longo dela, quando às 7:30 h (+-) , depois fazer zapping com o comando da televisão,  fixa no canal Panda para ver a Heidi!

Bom dia a todos

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vidas refeitas

Luísa tinha conseguido finalmente colocar um ponto final numa relação que lhe degradava a alma há imensos anos.
Durante os anos de namoro com Manuel, o entendimento e a relação eram praticamente perfeitas. O desejo de se unir a ele para sempre, através do matrimónio, foi construído pelo tempo e pelo amor indiscutível que os unia.
Num dia quente e soalheiro do início de Setembro, numa festa cheia de alegria contagiante, entre parentes e amigos aconteceu o dia mais feliz da vida de Luísa, o seu casamento com Manuel. Partiram em lua de mel  e viveram as suas primeiras  férias juntos e também as únicas.
No primeiros dois anos de casamento as gentilezas e afectos saiam de ambos com uma espontaneidade própria de quem se ama inteiramente.
A chegada do 1º filho, porém, mudou tudo. Manuel teve depressão pós-parto e começou a chegar  muitas vezes tarde a casa,  ausentando-se outras tantas, desculpando-se com o negócio, para não enfrentar as responsabilidade paternal. Luísa foi mãe, pai, empregada doméstica, trabalhadora, esposa e poucas vezes mulher.  Mas nem por isso desistiu do seu casamento. No fundo da sua alma, acreditava que Manuel tinha um bom coração e que um dia veria o quanto estava errado e quanto perdia ausentando-se da vida do filho e da vida de ambos.
Os anos foram passando, e ainda que Manuel tenha começado a interagir mais com o filho após o desfralde, a relação deles teve momentos péssimos em que a palavra "separação" era muitas vezes mencionada. A solidão de Luísa era imensa. A falta de carinho e as ausências de Manuel  tinham-lhe aberto uma ferida no peito que não havia forma de curar..
Houveram momentos que, ilusoriamente, Luísa acreditou  que o seu Manuel de antigamente tinha regressado. Foi, num desses momentos que voltou a engravidar, três anos após o primeiro filho.
Entre amuos, zangas, discussões, e essencialmente ilusões, os anos passaram uns atrás dos outros, sem que Luísa se desse conta, tal era a vida preenchida que tinha em torno dos filhos, do trabalho, da casa. A insatisfação da sua relação foi deixada a um canto, como que esquecida. Luísa tinha deixado de lado a luta pela sua felicidade pessoal para cuidar dos seus maiores amores.
Os filhos cresceram entretanto, tornaram-se autónomos e  independentes. Nessa altura, com quarenta e oito anos, Luísa sentiu nas ausências deles, um enorme vazio. Manuel continuava com ela, mostrando arrependimento quanto a muitas atitudes, mas o passado tinha deixado lacunas e cicatrizes profundas na relação. A troca de mimos e carinho não existiam mais e o diálogo pouco mais ou menos. O prazer carnal era a único contacto que mantinham, frio e autómato. Luísa vivia agora numa imensurável solidão, ainda que acompanhada.
Francisco tinha sido colocado no serviço de Luísa há quatro anos. Homem de cinquenta e poucos anos, elegante, educado e imensamente gentil com todos. A viuvez, ainda um pouco recente, deixara-lhe um semblante muito triste, sem contudo perder a doçura e a cordialidade que o caracterizava e que o fazia ser respeitado por toda na empresa. 
Quando Fátima, a mulher de Francisco ficou doente, ele desabava medos e temores com Luísa, por quem tinha sentido uma grande empatia desde o primeiro instante e vice-versa. Luísa tinha encontrado nele um confidente maduro que a aconselhava com sensatez a encontrar um caminho que a fizesse feliz todos os dias, como ela merecia. 
Um dia em que Luísa chegou a casa do trabalho, um pouco mais tarde que o habitual Manuel foi imensamente agressivo com ela, cobrou-lhe afecto, carinho, atitudes, que há muito ele se tinha se escusado dar-lhe. Para ela foi a gota de água para pôr fim a uma relação que tanto já a tinha feito sofrer.
Não entrou em discussões, nem se socorreu das dores do passado, pegou nas suas coisas e deixou-o no apartamento alugado pelos dois há muitos anos atrás.
Um pequeno apartamento junto à sua praia predilecta foi o lugar perfeito que Luísa encontrou para viver em paz, longe da guerra fria na qual esteve envolvida imensos anos. 
A amizade entra ela e Francisco era uma lufada de ar fresco em sua vida.
O casamento dele tinha sido perfeito. Ele amara loucamente Fátima e nunca imaginou viver ao lado de outra mulher que não ela. Luísa sabia-o melhor que ninguém mas nem por isso conseguiu evitar apaixonar-se pela ternura, a cordialidade de Francisco.
Passado um ano da separação, num quente dia do início de Julho, Luísa encontrava-se na sua praia, de cabelos soltos, com seu longo vestido florido esvoaçando, conforme ia sendo acariciado pela da brisa do mar. Seu rosto encontrava-se agora límpido e sereno, liberto das amarguras do passado e os seus pensamentos flutuavam em torno de Francisco. Já não conversava com ele pessoalmente há duas semanas, desde que entrara de férias, e as saudades doíam-lhe tanto.
Francisco por sua vez andava apreensivo com o efeito que a ausência de Luísa lhe estava a causar. Sentia-lhe a falta e os dias sem ela eram difíceis de passar. Nesse dia, no fim do trabalho decidiu visitá-la sem aviso prévio.
Luísa refrescava os pés no mar fresco quando ouviu a voz dele chamá-la. Voltou-se com o coração a querer saltar-lhe do peito e um ligeiro rubor afectando-lhe o rosto  dourado pelo sol. Seus olhos encontraram-se e não foram precisas palavras para saberem o que a partir daquele instante os uniria para sempre.