sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Mãe

" E agora caminhas mais devagar. A vontade de chegar, de fazer e de ser mantêm-se, ainda que a um ritmo diferente. A casa está limpa e asseada. Nos sítios onde existe tralha desnecessária, nem sequer vale a pena tentar convencer-te que tens de a despachar, pois é tão importante para ti que é como se fizesse parte de ti. Aceitarem-te como és, ouvirem-te, cooperarem, tomar decisões que te apaziguem e que conversem contigo, é o que tu esperas de nós. Reclamar e tentar mudar-te causa-te um desassossego interior. Deixa-te nervosa. As mudanças requerem um estado de alma que não tens, e outras, uma destreza motora que já não te acompanha. Entendo-te. Entendo também que te confundas. E que te enerves quando te chamam à atenção dessas tuas lacunas. Sabes, eu também me esqueço muito das coisas e lacunas, cometo tantas!
A solidão acompanhada em que vives no dia a dia deixam-te imenso espaço para construir castelos de cismas e medos, muito deles fundamentados. A distância que nos separa entristece-me. Aliás, sempre me entristeceu. Agora, pela tua mobilidade limitada que te aprisiona, ainda mais. Poder estar contigo o máximo que conseguir e com tempo de qualidade é a decisão que tenho em mim perante ti ".

2 comentários:

  1. Estou exatamente na mesma situação, mas a vida é mesmo assim Maria. Possivelmente quando chegar a nossa vez vamos sentir-nos muito sós ávidas pelos filhos e netos. Tal como elas. Mas nem sempre nos é possível fazer melhor. Beijinho

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  2. Lindo e tocante e aceitar as mudanças da vida...Sempre, claro, com o mesmo amor por elas! bjs,. chica

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